Daniel Thame | www.danielthame.blogspot.com
A Seleção Brasileira, que não é necessariamente a seleção dos sonhos dos brasileiros, tentará nos gramados africanos o seu sexto título mundial, distanciando-se da Itália, detentora de quatro copas e da Alemanha, com três conquistas.
Uma seleção que não tem nada de sonho.
Foi construída a partir da visão da realidade e de futebol de Dunga, exatamente à imagem e semelhança do treinador.
Esqueçam o futebol arte. Isso é coisa de figurinha amarelada pelo tempo e imagens de televisão em preto e branco ou das transmissões de rádio.
Agora, é comprometimento, dedicação, suor, amor à pátria (isso num time de milionários da bola, a esmagadora maioria jogando no exterior), espírito guerreiro.
É assim que a seleção vai em busca do hexa.
Uma defesa forte, com um goleiro em grande fase, dois bons alas e três zagueiros arrasa-quarteirão.
No meio de campo, mais dois brutamontes para auxiliar a defesa e apenas um jogador extra-classe, Kaká, e ainda assim envolvido com uma série de contusões.
No ataque, o centroavante Luis Fabiano, sem a técnica do Ronaldo dos bons tempos, mas com faro de gol, tendo como companheiro solitário Robinho, que fracassou na Europa, recuperou parte de seu futebol no Santos e que fará um bem danado à seleção se atuar como atua nos comerciais de marcas de carro, aparelho de televisão, telefone celular e até de salsinha.
Se Dunga precisar do banco de reservas, que o deus dos estádios nos ilumine e proteja: Josué, Kléberson, Gilberto, Julio Baptista e Grafite são algumas das opções do treinador.
Mesmo com uma seleção meia boca, sem nenhum gênio indiscutível da bola, dá para ganhar a Copa?
Por incrível que pareça, a resposta é sim.
Não há, no futebol atual, nenhuma grande seleção, daquelas que se aposta sem risco de errar.
A Argentina tem Messi e uma penca de craques, a Holanda joga bonito e a Espanha finalmente montou um time competitivo, mas parecem tremer mesmo quando encaram um Brasil mambembão.
No mais, é preparo físico, velocidade e a tática do "defende como pode, ataca quando dá".
É esperar a bola rolar para ver no que dá…
Daniel Thame é jornalista, blogueiro e autor do livro Vassoura