









UniFTC Itabuna doa máscaras de proteção facial para profissionais de saúde
A Faculdade UniFTC de Itabuna realizou a doação dos primeiros lotes de máscaras de proteção facial fabricadas por esta Instituição de Ensino e que serão utilizadas por médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e demais profissionais de saúde que estão atuando na linha de frente do combate ao novo Coronavíruas (COVID-19,) no eixo Itabuna/Ilhéus, Sul da Bahia. O equipamento, que é um dos itens dentre os EPIs (Equipamentos de Proteção Individual), tem gerado uma demanda reprimida no mercado mundial, diante da pandemia da COVID-19, e grande preocupação dos organismos internacionais diante da urgente necessidade de reduzir o risco de contaminação dos profissionais de saúde.
Os primeiros lotes de máscaras foram entregues à Secretaria Municipal de Saúde de Itabuna, ao Serviço Móvel de Urgência (SAMU 192) e à Santa Casa de Misericórdia. A previsão da Faculdade é que na sexta-feira (17) dois novos lotes sejam entregues à Secretaria Municipal de Saúde de Ilhéus e à Sociedade de Anestesiologia do Estado da Bahia (SAEB). A produção deste EPI está sendo feita no Espaço UniFTC Maker, laboratório de fabricação que possui a impressora 3-D, utilizada na confecção do equipamento e de outros projetos disponibilizados por diversos Fablabs do Brasil. A iniciativa faz parte das ações do Movimento do Bem desenvolvidas por todas as unidades que integram a Rede de Ensino.
Durante a entrega, os representantes das instituições de saúde puderam conhecer o Espaço Maker e saber detalhes do processo de produção das máscaras, além obter informações sobre a utilização e os manejos para higienização do equipamento pós uso. O diretor da UniFTC de Itabuna, Professor Kaminsky Mello Cholodovskis, ressaltou que a Faculdade está empenhada em produzir um volume significativo deste equipamentos como uma forma de contribuir com as medidas de contenção na transmissão do vírus, particularmente entre os profissionais de saúde.
“Este é um momento de unirmos forças e conhecimentos para vencermos juntos um mal que ameaça a todos. Neste sentido, a UniFTC está movimentando a infraestrutura tecnológica disponível neste Espaço Maker para ajudar a suprimir a demanda reprimida das máscaras faciais e diminuir os riscos de contaminação daqueles que, por conta do exercício profissional de salvar vidas, estão expostos nas unidades de saúde atendendo as vítimas da COVI 19”, disse Kaminsky.
Ao receber o lote de máscaras destinadas aos profissionais das unidades de atendimento emergencial da Rede Púbica, o secretário municipal de Saúde de Itabuna, Uildson Henrique Nasimento, enfatizou a importância da iniciativa da UniFTC, por conta das dificuldades a nível nacional e internacional que as esferas de governo estão tendo para adquirir EPIs. “Este é um exemplo que deve ser seguido por outras instituições, diante deste esforço coletivo que estamos implementando para dar mais segurança aos nossos servidores da saúde, que diuturnamente estão atuando no combate a esta pandemia. Nós agradecemos por esta doação que torna-se imprescindível no atual contexto”, afirmou.
A importância da fabricação e doação das máscaras faciais também foi destacada pelo engenheiro de Segurança do Trabalho e Ambiental da Santa Casa de Misericórdia de Itabuna, Rolemberg Clementino dos Santos, bem como pela enfermeira chefe do SAMU192, Rafaela Caldas Sousa dos Santos. Eles lembraram que em todo o mundo a falta de EPIs tem aumentado os índices de contaminação entre os profissionais de saúde. Na Itália e Espanha, por exemplo, os percentuais de médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem contaminados pela COVID-19 durante o exercício profissional chegam a 12 e 15%.
Para a fabricação das máscaras faciais, a Faculdade está investindo na aquisição de filamentos, utilizados na impressora 3-D para a produção das bases que servem de suporte, bem como na compra de lâminas de acrílico que é usado na parte frontal das máscaras. O Espaço UniFTC Maker funciona no Campus 2 da Faculdade, localizado na Avenida Inácio Tosta Filho, nº 360, área central de Itabuna. Inicialmente, na fase de produção sob a supervisão da gerente de Laboratório da Rede UnFTC, Alessandra Argolo do Espírito Santo, estão atuando o colaborador do setor de Tecnologia da Informação, Ewerton Santos, e o estudante do 9° semestre de Engenharia Civil, Guilherme Dantas, que dominam a tecnologia de impressão em 3-D.





O exemplo de generosidade social que vem da padaria
Na semana passada, em meio à avalanche de más notícias que baixa nossa imunidade social, uma subvertia a ordem das demais e se tornou um bom exemplo para ser lembrado e divulgado com a generosidade que merecia. Simples, mas eficaz, a Padaria Santa Fé, no bairro Conceição, em Itabuna, colocou pães em sacos plásticos numa prateleira exterior com a seguinte informação: “Se acabou seu dinheiro e está sem trabalhar, favor pegar um desses pacotes de pães!”
Uma medida simples, porém eficaz para prestar a solidariedade aos que não têm como abastecer sua casa de alimentos. A generosidade chega em forma de pão, um dos alimentos mais antigos e significativos na vida de qualquer pessoa, com várias passagens na Bíblia Sagrada, a exemplo do milagre da multiplicação dos pães, realizado por Jesus Cristo para alimentar seus seguidores.
O pão – de maneira geral – é o primeiro alimento que qualquer pessoa tem nas primeiras horas da manhã para se alimentar e estar pronto para enfrentar o trabalho. Sem ele, a barriga chora e o cérebro humano não consegue se desvencilhar dos constantes apelos da necessidade de satisfazer a fome. Que digam melhor os que já passaram por essa necessidade…
E esse gesto de generosidade dos proprietários da Padaria Santa Fé chega na forma material, espiritual, e reciprocidade. Material, por matar a fome momentânea de quem não se encontra com poder aquisitivo para adquiri-lo, por ter perdido o emprego, exercer seu trabalho individual ou outros malefícios causados pelo Coronavírus; espiritual, por representar um ato de vontade em ajudar o próximo, nesses tempos de individualismo.
E o terceiro – de reciprocidade –, por dar de volta à comunidade em que está inserida há mais de 80 anos e que sustenta o seu negócio na relação comerciante-consumidor por toda uma vida. A simples e nem tão onerosa ação do advogado e comerciante José Roberto (Tinho) Vilas-Boas e sua família deverá servir de exemplo à sociedade para que atos como esse se multipliquem em benefício dos necessitados.
O gesto de Tinho, poderia ficar restrito ao benfeitor e os beneficiários não fosse a curiosidade do jornalista Domingos Matos, morador do bairro e cliente da padaria em publicar a notícia do site O Trombone. O fato correu o mundo pela internet com a mesma rapidez que o Coronavírus na forma do Covid-19, apenas com os interesses divergentes: enquanto o vírus prejudica, mata, o gesto de Tinho alimenta o corpo e a alma.
E de fato não ficou restrito à padaria, pois outros clientes também começaram a dividir o gesto de nobreza, adquirindo outros produtos como o leite, biscoitos, dentre outros para complementar o café dos que necessitavam. E essa corrente de doação se transformou campanha – mesmo pequena – que conseguiu alcançar a sua finalidade, doando aos necessitados, sem alardes, filas para chamar a atenção, sem releases para ressaltar a “bondade” do político que usa o dinheiro público como se fosse seu.
Pelo que me recordo, a Padaria Santa Fé – com seus mais de 80 anos de fundada e funcionando no mesmo local – não é apenas uma dessas empresas em que não se conhece o dono, às vezes morador em outro país. Pelo contrário, desde os tempos em que Florisvaldo Vilas-Boas fundou a padaria colocou seus filhos para trabalhar, integrando-os à comunidade do bairro Conceição, que até hoje fazem parte.
Em conversa com o irmão Romário Brito Vasconcelos – participante ativo do trabalho missionário espírita –, tomo conhecimento que nas campanhas realizadas em benefício dos mais carentes, as doações são provenientes das camadas sociais mais baixas, financeiramente falando. Durante as campanhas – segundo a experiência de Romário – é muito mais produtivo bater à porta do mais humilde, que divide com quem precisa.
Mas não percamos a esperança em mudanças positivas, pois mesmo sabendo que elas não virão com abundância e de pronto, poderão chegar aos poucos, dependendo apenas das campanhas sociais que poderão ser realizadas. Nesse caso, a parábola de que “é mais fácil um camelo passar pelo fundo (buraco) de uma agulha do que um rico entrar no reino do céu”, poderá ser aplicada com segurança.
(publicado inicialmente no Blog do Autor – Cia da Notícia)
Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado