Um legislativo independente – ou o homem que acreditava no que dizia

por Domingos Matos
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Contam as lendas do jornalismo itabunense que determinado jornalista, em sua juventude, usava e abusava de desculpas para nunca cumprir as pautas que lhe eram determinadas. As desculpas eram baseadas em mentiras que inventava, todas mirabolantes ao extremo. Mas havia um problema: por vezes o dito cujo acreditava no que contava. E, pior, botava os casos no mato quando, defendendo uma mentira como quem defendia realidade da luz do sol, chegava a brigar com os colegas cúmplices, contratados para reforçar seus argumentos. Descoberto o golpe pelo patrão ou o editor, se desmanchava em pedidos de desculpas ao colega que antes era seu defensor: “foi mal. Acreditei no que dizia, me empolguei com a história e botei tudo a perder”.

O nome do rapaz não será revelado por esse escriba. Mas o introdutório acima ilustra um caso atual que lembra as aventuras de nosso amigo jornalista. O presidente do legislativo itabunense, Ruy Machado, deu uma demonstração hoje, no plenário, de que, por vezes, chega a acreditar que dirige um poder totalmente independente do executivo. Vá lá, é o que todos dizem. Mas, do seu cantinho, o tímido e limitado vereador Raimundo Pólvora deu um choque de realidade no presidente: disse que Ruy é governista até a raiz esbranquiçada dos cabelos, e aquele discurso de independência ou morte já não cola há uns 200 anos.

Se Pólvora diz a verdade, por que razão o presidente vez por outra acena com bandeiras belicosas para o lado do Centro Administrativo Firmino Alves? Ou temos, finalmente, um Legislativo independente de verdade, ou Ruy está acreditando no que diz, o que pode ser muito perigoso para o enredo que ele mesmo montou.

Aguardemos.

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